Sinais de alerta: quando ligar para o 112?
Dor no abdómen superior ou nas costas, desconforto no pescoço ou no maxilar, falta de ar súbita, suores frios, vómitos, tonturas ou mesmo perda momentânea de consciência fazem parte do quadro possível num enfarte agudo do miocárdio.
"É frequente estes sintomas serem interpretados como ansiedade ou mal-estar gastrointestinal, quando na realidade podem corresponder a um enfarte em evolução", alerta o médico.
A sensação súbita de ansiedade ou inquietação é um sintoma muito referido pelas mulheres e não deve ser desvalorizado, sobretudo quando surge associado a outros sinais físicos.
"Não deve ser desvalorizado, sobretudo quando surge de forma súbita e associada a outros sinais físicos", sublinha.
O atraso no diagnóstico de enfarte agudo do miocárdio pode ter consequências graves. Quanto mais tempo o músculo cardíaco fica sem oxigénio, maior é o dano e as probabilidades de complicações ou morte.
"Se um doente tiver sintomatologia consistente com enfarte agudo do miocárdio (designadamente dor torácica constritiva), deve ligar 112 o quanto antes, ou seja, o mais rapidamente possível. Deverá, depois, ser transportado, em segurança clínica (por exemplo, numa ambulância), para um hospital", esclarece o cardiologista.
Num enfarte, cada minuto conta.
Em 2023, segundo dados do Instituto Nacional da Estatística (INE) registaram-se 3.664 mortes em Portugal por enfarte agudo do miocárdio, representando 3,1% da mortalidade total, menos 6,2% em relação ao ano anterior (3.908 óbitos). Os números mais recentes, divulgados em 2025, ditam que as mortes por enfarte agudo do miocárdio atingiram principalmente os homens, com uma relação de 156,4 óbitos de homens por 100 de mulheres, superior ao verificado ao ano anterior (155,8).
Do total de óbitos, 77,9% foram de pessoas com 65 e mais anos e 59,1% de pessoas com 75 e mais anos. Ou seja, 31,1% morreram com menos de 70 anos.